Blog "Histórias da História"

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Sou Jairo Reis, 35 anos, Natural de São Paulo – a Metrópole. Apesar de ser capitão do Exército formado pela Academia Militar...



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Jairo Reis

 


 

 

 

 

 

 

 

O relógio


Desde os primórdios da civilização, existem algumas perguntas que não querem calar: de onde viemos? Para onde vamos? Quem vai vencer o Brasileirão? Mas existe uma pergunta que, se não é a mais importante e definitiva, pelo menos é a que mais fazemos rotineiramente:



 

 

Que horas são?

O interessante é que uma questão tão cotidiana para nós nem sempre foi tão fácil responder. Os primeiros seres humanos em algum momento notaram que era preciso medir o tempo. Para facilitar a caça, controlar as plantações, saber a hora de buscar a namorada sem ela dar chilique… mas como fazer isso? Eles podiam tentar perguntar as horas para alguém, mas acredito que esse alguém fosse vítima do mesmo problema.

Foi então que alguém teve a ideia de observar a medição do tempo pela natureza. Primeiro surgiram as marcações dos dias e das estações do ano pelo nível dos rios e mares

Por volta do ano 3000 a.C., surge na Mesopotâmia os primeiros relógios de sol, que marcavam aproximadamente o momento do dia pela sombra de uma estaca ou pedra. É claro que não funcionava à noite, então ainda era difícil saber a hora da novela da 8.


Em 1500 a.C., a civilização egípcia inventa a clepsidra, um relógio d´água composto por um vaso com um pequeno furo na base. Conforme a água saía pelo furo, a água dentro do vaso passava por marcas que indicavam as horas. Sistema bem simples, mas muito impreciso e… úmido.


E nada melhor foi inventado nos 600 anos seguintes. Relógios solares, de água e de areia eram o que havia de mais moderno e tecnológico.

Até que no ano de 885 uma grande invenção abala a idade Média: Uma vela com marcas ia queimando e quando a cera derretida indicava a hora. Um relógio à vela. Grande tecnologia…

Mais de 500 anos se passaram até que outra novidade mudaria o conceito de relógio – desta vez uma evolução de verdade. Em 1459 surgem na Europa os primeiros relógios movidos à corda, uma mola que armazena energia e a libera aos poucos, movendo um ponteiro controladamente. A posição do ponteiro marca a hora. Esse equipamento é considerado o primeiro relógio mecânico totalmente feito pelo Homem. O invento revolucionou a medição do tempo, mas ainda não resolveu o problema da navegação nos mares, por ser impreciso demais.


Em 1500 os cidadãos comuns começam a ter acesso ao “tempo”. O alemão Pedro Henlein inventa o primeiro relógio portátil à corda. Portátil era modo de dizer. O modelo era pesado, mas dava para levar para casa.

Em 1582 um grande cientista, mesmo sem saber, faz uma contribuição decisiva para a evolução do relógio: Galileu descobre as propriedades do movimento pendular, o que seria crucial para a precisão dos relógios mecânicos anos depois.

Em 1587 os suíços aperfeiçoam a fabricação dos relógios portáteis, reduzindo seu custo e difundindo seu uso por toda a Europa.

Até então os relógios eram mecanismos de metal escondidos em uma caixa de madeira e um ponteiro visível. Em 1600 os relógios começam a tomar a forma que conhecemos hoje, graças ao vidro, que começa a ser usado como visor e protetor do relógio.

Quase 80 anos depois, os estudos de Galileu Galilei transformam-se em tecnologia de ponta: em 1657 surge o primeiro relógio com pêndulo, com uma precisão jamais vista antes.

Em 1765, um outro salto evolutivo: Surgem os ponteiros dos segundos, uma unidade de tempo tão pequena que era impensável medí-lo 50 anos antes. Pela primeira vez a palavra “cronômetro” é utilizada.

Em 1790 os suíços utilizam contrapesos presos à mola do relógio e inventam o primeiro mecanismo de corda automática. Os relógios agora funcionavam sem parar dentro dos bolsos europeus.

E a corda automática logo seria passada para trás. Em 1800, o cientista italiano Alexandre Volta cria a pilha elétrica.

E já em 1830 surgem os primeiros relógios com pêndulo movidos a eletricidade, o que dava ao relógio uma precisão e uma autonomia inimagináveis na época.

Em 1880 Marie e Pierre Curie descobrem as propiedades dos cristais pieso-elétricos, um cristal que emite eletricidade quando é comprimido. O casal francês não fazia ideia do uso que essa descoberta teria alguns anos depois.

Notando que a marcação das horas começava a interferir no comércio da época (que já era global), os países resolvem firmar um acordo internacional definindo os parâmetros da hora e data,

e em 1884 o meridiano de Greenwich (Inglaterra) é definido como marco zero dos fusos horários no planeta.

Na virada do século, um brasileiro criaria um rumo surpreendente na vida dos relógios. Trabalhando em sua oficina e com as mãos sempre sujas e ocupadas, em 1900 Santos Dumont inventa o relógio de pulso, um esquema simples de olhar as horas sem usar as mãos. Será que essa moda pega?

 

No século XX o mundo veria as maiores transformações sociais, políticas, científicas e, é claro, nos relógios. Em 1930 as pesquisas do Casal Curie se mostram na prática. É criado o primeiro relógio com cristal de quartzo, fazendo com que a precisão dos relógios tenha pontualidade de um cuco. Ou de um quartzo.

Os anos negros da II Guerra Mundial (1939-45) mergulham o mundo numa corrida armamentista sem precedentes. Em 1942, dentro do Projeto Manhattan, os EUA iniciam suas pesquisas atômicas, o que levaria, três anos depois, ao surgimento da bomba atômica, e seis anos depois, ao surgimento dos relógios atômicos, os relógios mais precisos que o Homem já criou.

Com a evolução dos transístores, surge em 1957 o primeiro relógio de pulso eletrônico digital.

A medição exata do tempo ficou cada vez mais importante depois do início da era espacial. Em 1967 os cientistas sentem que é necessário unificar as medidas de tempo, e definem a duração do segundo, utilizando como parâmetro a radiação do césio.

Hoje, depois de tantos anos de evolução e desenvolvimento, chegamos ao século XXI marcando o tempo como nunca nossos ancestrais sonharam. Os relógios atômicos atuais de padrão de césio são os mais precisos que existem, sendo utilizados nos satélites, em sondas espaciais e em todo o sistema de cronometragem dos GPS. Cronômetros de precisão são utilizados nos esportes de alto nível, diferenciando a chegada dos atletas por milésimos de segundo. Nunca tivemos relógios tão precisos e perfeitos, feitos com materiais tão bonitos, leves e modernos.

Mas mesmo com tanta tecnologia, porque ainda não inventaram um relógio que nos permita controlar o tempo? Que deixe a gente parar as horas nos momentos bons, e avançar nas horas negras. Será que é muito difícil criar um relógio assim?

É controlar o tempo é muito difícil. Mas não seria ruim se existisse um relógio que desse uns minutos a mais para aquele soninho depois do despertador tocar…

 


*

O Hino Nacional

Com a copa do mundo de futebol, somos brindados com uma oportunidade rara: ouvir o Hino Nacional Brasileiro. Ninguém é muito patriota ou dá muito valor ao nosso belo hino fora da época da Copa. Mas quando começa a tocar aquela introdução inconfundível, é arrepiante.

Um hino nacional nada mais é do que uma música que identifica um país, seja ela oficializada ou não. É meio que um rótulo sonoro de uma nação, algo como o plim-plim da Rede Globo.

Existem hinos que contam as glórias militares do povo, ou aqueles memoráveis pela sua idade, tanto da letra poética (a do hino japonês é do século IX) quanto da canção (o hino da Holanda é de 1570). Há também hinos que tem origens obscuras, como a melodia usada como hino dos EUA, cantada nos bares americanos do século XVIII para celebrar a cerveja.



 

A história do nosso hino nacional, a famosa música da “Elvira do Piranga”, também é muito curiosa.

A música “Marcha Triunfal” foi composta pelo maestro Francisco Manuel da Silva na década de 1820, pouco depois da independência do Brasil. Tornou-se uma marcha para banda muito popular durante o Primeiro Império (1822-1831). Por ocasião da abdicação de D. Pedro I, em 7 de abril de 1831, algum engraçadinho fez uma letra para a já famosa “Marcha Triunfal” que satirizava Dom Pedro I . A letra se alastrou na boca do povo. Dizia que “o monstro da tirania não mais nos escraviza”, numa clara referência ao Imperador fujão. Por razão dessa paródia, a Marcha Triunfal ganhou o nome popular de “Hino ao 7 de Abril”.

Quando ocorre o golpe da maioridade, em 1840, uma outra letra começa a circular pelo Rio de Janeiro. A nova letra fazia alusão às qualidades e virtudes do novo Imperador do Brasil: Dom Pedro Menino, ou melhor, Segundo.

Durante o Segundo Império do Brasil, a “Marcha Triunfal” foi adotada como Hino do Imperador, e era executada em solenidades com a presença de D. Pedro II, porém sem nenhuma letra. Mas, mesmo sem letra, a música já transformava-se na vinheta do Brasil.

Quando as asas da República abriram-se sobre nós, em 1889, o Marechal Deodoro organizou um concurso para trocar de Hino Nacional, já que a “Marcha Triunfal” de Francisco da Silva era um símbolo do Império deposto. O vencedor do concurso foi o compositor Leopoldo Miguez, com a música “Liberdade, Liberdade, abre as asas sobre nós…” O povo detestou o novo hino nacional, e até o próprio Deodoro hostilizou a canção. Reza a lenda que, após a primeira execução do novo Hino, Deodoro teria levantado e dito: “Prefiro o velho…”.

A canção “Liberdade, Liberdade” foi oficializada como Hino da Proclamação da República, e a “Marcha Triunfal”, mesmo sem letra, foi mantida como Hino brasileiro, para a felicidade geral da nação (menos para o compositor Leopoldo Miguez…).

O Hino brasileiro permaneceu sem letra pelos 17 anos seguintes à proclamação da república. Somente em 1906 foi feito um outro concurso para a escolha de uma letra definitiva para a “Marcha Triunfal”. E a letra vencedora foi, é claro, a letra da “Elvira”, DE AUTORIA DO POETA OSÓRIO DUQUE ESTRADA, oficializada como letra do hino em 1909 e cantada erradamente por quase todos os brasileiros. O Hino Nacional Brasileiro, letra e música, foi oficializado em 1922, pelo presidente Epitácio Pessoa.

A beleza do hino brasileiro é inquestionável, apesar de alguns políticos desocupados sempre cogitarem uma mudança na letra. Nos enche de orgulho nos momentos maiores do Brasil, principalmente nos esportes. Nosso hino não fala de guerra e não hostiliza outros povos… Fala das belezas naturais, da sua gente patriota, do passado gloriosa e da paz que queremos no futuro. Durante a copa de 2006, a imprensa europeia considerou o Hino Brasileiro como o mais bonito do mundo. E não é para menos. Nosso hino é lindo!

Para terminar:

Eu, particularmente, acho o hino belíssimo. Só não entendo a homenagem feita a um outro povo, que por sinal, nem existe mais: o povo Filisteu.

“Verás que um Filisteu não foge à luta… Dos Filisteus sem solo, és mãe gentil..”.

Salve, salve!

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=>10/06

A copa do mundo

Abrem-se as cortinas e começa o espetáculo. Olho no lance e ripa na chulipa. Tem início mais uma Copa do Mundo de Futebol. Os brasileiros falam tanto sobre isso que é até difícil ligar a TV e ver algum outro tipo de notícia. É penta ou hexa? Dunga convocou bem? A bola é ruim ou é boa? O Maradona vai mesmo desfilar pelado? Tudo isso é muito interessante. Mas interessante mesmo é lembrar como essa história começou.

O início foi modesto. Em 1930, a jovem Federação Internacional de Futebol Associação (FIFA), fundada em 1904 na Suíça, resolveu realizar um campeonato internacional da modalidade, envolvendo 13 países convidados para a disputa da taça Jules Rimet. O país que ganhasse a Copa três vezes, ficava definitivamente com o troféu. O país escolhido como sede dos jogos foi o Uruguai que, não por acaso, foi também o primeiro campeão mundial. O Brasil teve apenas dois jogos, perdendo um e vencendo outro, terminando em um modesto 6o lugar.

 

A Copa de 1934 foi realizada na Itália do ditador Mussolini. O ufanismo militar italiano refletiu-se em campo, e a Itália sagrou-se campeã. O Brasil acabou em um pífio 14o lugar, entre os 16 participantes.

Em 1938 a Europa era um barril de pólvora. Às vésperas da II Guerra Mundial (1939-45), a França recebe a 3a Copa do Mundo de Futebol. O auge do regime fascista de Mussolini mais uma vez influenciou o desempenho da “esquadra azul”, levando a Itália ao bicampeonato mundial. A Jules Rimet, em disputa há apenas 8 anos, estava quase nas mãos dos italianos.

As Copas de 1942 e 1946 foram canceladas pela FIFA, em virtude do jogo violento praticado pela seleção da Alemanha, sob o comando do professor Hitler (a Itália e o Japão também não fizeram bonito…).

Depois da devastação promovida pela guerra, a Europa estava, literalmente, fechada para obras. E foi a chance de ouro para o Brasil sediar a Copa de 1950. Estava tudo pronto para a festa. A Seleção brasileira estava afinada, e fez um campeonato impecável. Exceto, talvez, por um empate suado em 2 a 2 com a Suíça. Chegamos preparadíssimos para a final contra o Uruguai e… Maracanasso! O Uruguai vence por 2 a 1 de virada, em pleno Maracanã lotado… O Uruguai igualava-se à Itália em vitórias na Copa, e foi a última vez que o Brasil usou a camisa branca em campo, já que ela ganhou fama de azarada. Um dado curioso é que essa foi a primeira vez que os jogadores tinham números nas camisas.

Em 1954, a Alemanha (já chamada de Ocidental) foi a campeã, com um 3 a 2 de virada em cima do melhor time do mundo na época, que era, pasmem, a Hungria. Os húngaros devem ter muita saudade dos anos 50. Já o Brasil, na estreia da camisa canarinho, fica em terceiro (será que a camisa amarela também deu azar?).

Tudo mudou em 1958. Não teve azar que mudasse o destino daquela Seleção. Brilhou na Suécia a estrela daquele pivete de 17 anos, gigantesco em campo. Brasil 5 a 2 na final contra os donos do estádio – fora o show! Ao sagrar-se campeão, o Brasil marcou um recorde até hoje não superado: Pelé é o campeão do mundo mais jovem da história, com 17 anos e 8 meses de idade.

Com a Itália e o Uruguai muito perto de vencer a taça Jules Rimet, o Brasil, que já era campeão como a Alemanha, precisava reagir. E em 1962, no Chile, tudo deu certo mais uma vez. Dessa vez foi o Mané quem fez a diferença para o lado verde-amarelo. Com dribles desconcertantes, Garrincha era o cara! O Brasil entra para o seleto grupo dos bicampeões do mundo.

A expectativa para a copa de 1966 foi imensa. Itália, Uruguai, Brasil. Quem levaria a Jules Rimet para sempre? E a Alemanha? Conseguiria entrar para o grupo dos bi?

Alemanha e Inglaterra fazem a final. 2 a 2 no tempo normal (com um gol inglês totalmente forjado). Na prorrogação… Inglaterra campeã. É. Os alemães não tinham cara de bi.

E chega o ano de 1970. O palco era o México. O ator principal, o canarinho.

 

O Brasil de 1970 é considerado o melhor time que já existiu. E, com o tricampeonato, esse time trouxe a taça Jules Rimet. Para sempre! “Sempre” que durou até 1982, quando dois ladrões roubaram a taça da sede da CBF, no Rio de Janeiro, e a derreteram.

Em 1974, a Alemanha Ocidental é a campeã em casa, e torna-se a primeira a vencer a copa com a nova taça, chamada de FIFA. Eles derrotaram na final o famoso carrossel holandes por 2 a 1.

Em 1978, talvez por estarem dentro do próprio país, os argentinos conseguem garfar a conquista da copa do mundo. O Brasil 3o colocado, perdeu no saldo de gols, depois de uma goleada duvidosa da Argentina sobre o Peru. Mas, vá lá, Argentina campeã.

Na Espanha, em 1982, nossa seleção tropeça na Itália de Paolo Rossi. Pelo menos perdemos para a campeã. Itália tricampeã mundial (mas eles não têm taça! Nós temos…tínhamos…)

Em 1986, no México de novo, não teve para ninguém. Maradona campeão do mundo. Tudo bem que teve o gol de mão, e se não fosse aquilo…


Na Itália, em 1990, a Alemanha vence de novo, desta vez em cima da Argentina, o que foi bom. O Brasil… o Brasil foi para essa copa?

Em 1994, nos EUA, o Brasil foi. Com certeza. E venceu a final contra a Itália na disputa de pênaltis. Foi a única vez na história que isso aconteceu. E Brasil tetracampeão!

Em 1998, na França, os franceses meteram 3 a zero na final contra quem mesmo? Não lembro direito…

A copa de 2002 teve a peculiaridade de ter 2 países sede. Teve a peculiaridade também de ver surgir o único pentacampeão mundial! Brasil, sil, sil! É penta!!!

Em 2006, na Alemanha, a Itália venceu a França na final do futebol. Mas os franceses venceram na luta livre, depois da cabeçada de Zinedine Zidane no zagueiro italiano. Itália tetracampeã.

O que nos espera a copa de 2010, pela primeira vez realizada no continente africano? A Argentina pode conseguir o tricampeonato (coisa que já fizemos, há 40 anos). A Alemanha pode conseguir o tetra (coisa que nós fizemos há 16 anos). Se bem que não devia valer o tri da Alemanha, porque o time campeão em 1954 e 1974 era a Alemanha Ocidental.

A Itália é a única que pode igualar-se ao Brasil no pentacampeonato se conquistar a copa. Por isso, em vez de ficar gastando macumbas e preces só contra a Argentina, os brasileiros devem pensar um pouco nos italianos. Só por precaução.

Mas, mesmo que eles ganharem, eles não têm a taça! Nós temos! Ou melhor, tínhamos…

 

 

 

=>19/05


O telefone


 

Alô? Poderia “estar dizendo” quem inventou o telefone?

A resposta mais óbvia para qualquer atendente de telemarketing é que o inventor “estaria sendo” Alexander Grahan Bell, famoso cientista escocês. Mas será que essa é a resposta mais correta?

Vamos voltar às origens do telefone para entender sua história. Tudo começou no século XIX, no ano de 1835. Um norte-americano chamado Samuel Morse inventou com sucesso um sistema de transmissão de um pulso eletromagnético por um fio metálico. Esse “choquinho” viajava pelo fio até atingir um ímã receptor, que se movimentava conforme os choques que recebia. Era o telégrafo, um fenômeno de comunicação à distância muito utilizado a partir de 1838, ano em que Morse inventou o código Morse, que por coincidência, leva seu próprio nome. Bip, bip biiiip…

Apesar do retumbante sucesso do telégrafo, a vontade de transmitir a voz humana ainda era um sonho. Mas o primeiro passo já estava dado.



No final da década de 1850, um italiano morador de Nova Iorque chamado Antonio Meucci enfrentava um grave problema doméstico. Sua amada esposa estava enferma, sem poder levantar-se da cama no segundo andar da casa. O laboratório de Meucci ficava no primeiro andar, o que causava muito transtorno e interrupções no trabalho toda vez que o cientista atendia aos chamados da mulher.

Meucci teve então a ideia que mudou a história das comunicações. Trabalhou incessantemente no aperfeiçoamento do telégrafo, tentando criar um pulso elétrico gerado pela vibração sonora. Até que, em 1860, demonstrou publicamente pela primeira vez o seu “Teletroffono”, o primeiro aparelho de transmissão da voz humana à distância.

Meucci procurou investidores e fez a requisição da patente provisória do aparelho. Mas as dificuldades financeiras obrigaram o inventor a vender seu protótipo por um valor irrisório. O comprador do aparelho foi ninguém menos que Alexander Grahan Bell.

Grahan Bell, com a ajuda de dois investidores cheios da grana, patenteou o “Telephone” em 1876. Nome bem similar ao original de Meucci.

Uma das primeiras vozes transmitidas pelo telefone de Bell foi a do nosso imperador Dom Pedro II. Em viagem oficial aos EUA, o monarca foi convidado por Bell a testar o invento. Um assistente de Bell, em outra sala, falou “Alô”. Dom Pedro, assustado, exclamou: “Meu Deus, isso fala!”.

A despeito da popularidade de Bell e do “seu” invento, Meucci ficou revoltado com a patente de Bell, e entrou na justiça alegando ser o verdadeiro inventor do telefone. Meucci morreu em 1889 sem ver a conclusão do caso (ano triste também para Dom Pedro II…).

O processo foi arquivado, e Alexander Grahan Bell entrou para a história como o inventor do aparelho que reduziu para sempre a distância entre as pessoas no mundo.

Apesar de nunca ter recebido um centavo sequer pelo seu grande invento, o tempo encarregou-se de mostrar a importância de Meucci para a humanidade. Em outubro de 2002, o Congresso dos Estados Unidos reconheceu Antonio Meucci como o verdadeiro inventor do telefone, resolvendo uma das grandes injustiças de todos os tempos no campo das invenções.

É claro que o coitado passou longe de ver esse reconhecimento (talvez nem seus netos tenham visto), e quem fez fortuna com o invento foi Grahan Bell. Mas a justiça histórica foi feita. O nome de Meucci figura hoje entre os mais importantes cientistas que já passaram pelo nosso enorme planeta, que era muito maior antes do telefone.

Parece que a justiça tardou mas não falhou. Pelo menos no caso de Antonio Meucci.

Só nos resta esperar que algum dia o Congresso americano resolva analisar a história da invenção do avião, e finalmente corrigir a injustiça histórica imposta por eles a Santos Dumont…

 

 

 

 

 

02/05/10=> A televisão

O ritual doméstico é seguido religiosamente por milhões ao redor do mundo: Chegar em casa e, antes de qualquer coisa, procurar o controle-remoto daquela parceira inseparável e prestativa, companheira de todos os momentos. Se você pensou na esteira ergométrica…. errou feio! É claro que estou falando da televisão, o eletrodoméstico mais importante para a maioria esmagadora da humanidade.

Por incrível que pareça, a história da invenção da TV não é muito fácil de contar. Isso por que muitos estudos de diversos cientistas foram reunidos para possibilitar a criação dessa inovadora tecnologia. Para transmitir uma imagem, é preciso dominar a tecnologia do rádio, por exemplo. Por sua vez, para criar o rádio anos antes, Guglielmo Marconi (tido como pai da radiofusão) utilizou 19 patentes de Nikola Tesla, famoso físico croata-americano.

A primeira transmissão de TV oficialmente reconhecida ocorreu em 1928, em Nova Iorque. O autor da façanha foi o engenheiro sueco Ernest Alexanderson. Muito modesta, essa apresentação foi transmitida para 3 aparelhos de TV.

O grande salto foi introduzido na Alemanha Nazista em 1936. Os alemães conseguiram transmitir as imagens da abertura dos Jogos Olímpicos de Berlim com uma nitidez até então inédita. Foi realmente o primeiro grande evento a ter sua imagem mostrada na telinha.

Em 1938 foi transmitida pela primeira vez a final da Copa do Mundo de Futebol.


Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) as pesquisas televisivas foram colocadas em segundo plano. Mas, ironicamente, o desenvolvimento da tecnologia militar de comunicações facilitou a implantação de grandes redes televisivas alguns anos mais tarde.


O pós-guerra reativou o crescimento econômico mundial, o que levou a classe média da Europa e EUA a uma “corrida televisiva”. No final dos anos 40 e início dos anos 50, ter uma televisão já era comum na maioria das casas norte-americanas, o que contribuiu definitivamente para a difusão da cultura de massa. A série I Love Lucy, da década de 50, por exemplo, foi um dos primeiros fenômenos de audiência da história da TV.

Foi em 1950 que a primeira estação de TV chegou ao Brasil, por meio do empresário Assis Chateaubriand, fundador da TV Tupi. A TV Tupi criou os primeiros sucessos de público no país, como o Vigilante Rodoviário e o Repórter Esso, “a testemunha ocular da história”.

Em 1954 surge o primeiro sistema de TV em cores do mundo, nos Estados Unidos, sempre pioneiros na tecnologia. Porém o primeiro grande evento transmitido via satélite em cores para todo o mundo só ocorreria em 1970, quando todos tiveram a chance de ver a glória de Pelé e o tricampeonato brasileiro na Copa do Mundo do México.

Hoje em dia, não é segredo para ninguém que a televisão firma-se cada vez mais como o principal instrumento de comunicação em massa global, utilizado cada vez mais tecnologia e despertando interesses comerciais em empresas, indústrias, esportistas e políticos, já que toda população está ao alcance da tela iluminada, seja na hora da novela, do jornal ou do jogo.

E quando chegar em casa no fim da tarde e apertar o botão vermelho do controle-remoto da sua querida TV, não esqueça de agradecer aos grandes físicos que, há quase 90 anos, tornaram possível o sonho de ver, dentro da nossa sala, o talento de Fernanda Montenegro, a beleza de Grazi Massafera, a Malu Mader, a Vera Fisher, o Gugu Liberato, o Ratinho, o Datena,… pensando bem, será que temos motivos para agradecer tanto assim aos inventores da TV?


 

 

 

=>14/04

Marginal Tietê, São Paulo. Seis horas da tarde de uma sexta-feira chuvosa. Todo paulistano sabe que essa combinação de fatores só pode gerar uma situação na cidade: o trânsito mais caótico do país.

Para quem convive com esse cenário aterrador, com carros amontoados trafegando mais lentamente do que as carruagens do século XIX, fica difícil pensar que há pouco mais de cem anos tudo era muito diferente.

O Automóvel, máquina tão cotidiana que até se confunde com a personalidade de muitos, é uma invenção até certo ponto recente na história humana. Por milênios, os homens contaram apenas com o transporte realizado por animais, como cavalos, camelos, elefantes ou outros homens (que não podiam dizer não). Além, é claro, de ter a opção de contar com os próprios pés.

Até que, finalmente, em 1885, um alemão de nome Karl Benz transformou o sonho milenar do transporte autônomo em realidade. Claro que aquele carrinho de três rodas não era nenhuma Mercedes (apesar de construído por Benz). Mas aquela máquina mudou para sempre o modo como as pessoas se locomovem a trabalho ou passeio.

A novidade alemã logo se espalhou pelos outros países, como França, Inglaterra e Estados Unidos. E foi exatamente um norte-americano o grande responsável pela popularização do automóvel. Em 1908, Henry Ford passa a fabricar seus modelos “T” (este já com quatro rodas) utilizando uma nova filosofia industrial. Em vez de construir os veículos um a um, artesanalmente, Ford criou uma linha de montagem na qual um operário ocupa um posto estático de trabalho e realiza apenas uma pequena parte da montagem do carro, enquanto ele (o carro, não o operário) desliza para o próximo posto de trabalho, onde o próximo trabalhador executará sua pequena parte na montagem, e assim sucessivamente. Esse sistema, utilizado até hoje pelas grandes montadoras, possibilitou a fabricação em massa, resultando no barateamento do automóvel e na sua conseqüente popularização.

No Brasil, a história dos primórdios do automóvel é bastante curiosa.

O primeiro carro a chegar no Patropi (abençoá por De) foi importado da França em 1891 por ninguém menos que Alberto Santos Dumond, o inventor do avião. Não, esse carro não voava. E também não era nenhuma Mercedes. Era um Peugeot. E Dumond e seu novo transporte viraram a sensação imediata na cidade de São Paulo.

Já o poeta parnasiano Olavo Bilac também foi notícia no ano de 1895 graças ao seu carro. Uma colisão numa árvore, próxima ao centro de São Paulo, é registrada como o primeiro acidente de trânsito do Brasil. Apesar de haver sobrevivido, com certeza esse fato resultou numa memória não muito agradável ao autor do Hino à Bandeira.

Hoje o mundo mudou. Nos acostumamos com carros modernos, econômicos, dotados de computadores e chips eletrônicos, que trocam de marcha sozinhos e que até estacionam sem precisar de ninguém para atrapalhar. Nenhum de nós trocaria nosso possante moderno por um carrinho de três rodas de Benz ou por aquele “Pejozinho” de Santos Dumond.

Mas na próxima vez que estiver parado no trânsito da Marginal Tietê, às seis horas da tarde de uma sexta-feira chuvosa, tente imaginar o prazer de Santos Dumond naquele distante ano de 1891, o feliz proprietário do único automóvel do país.

E a propósito: se meu carro fosse o único no trânsito de São Paulo, para que eu iria querer inventar um avião?

 


 

Carro antigo

 

 

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